sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Ògún yè , Ògún pàtàkì orí - Salve Ògún , Òrixá importante da cabeça espiritual

Ogun Senhor Deus da guerra, dono do trabalho porque possui todas as ferramentas como seus símbolos. Deus do fogo ou aço em que são forjados os instrumentos como espada, a faca, a enxada, a ferradura, a lança, o martelo, a bigorna, a pá, etc. É o dono do Obé (faca) por isso vem logo após o Bará porque sem as facas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios. É irmão de Bará, sua conta é sete, quatorze e vinte e um. Ogum é o dono das estradas de ferro e caminhos.Protege também as portas de entrada das casas e templos. Ogum é protetor dos militares, soldados, ferreiros, trabalhadores e agricultores. Sua saudação é ogunhê. Suas ferramentas são: Ponteiras, bigorna, machado, pá, martelo, marreta, lança, cobra de bote, espada, enxada, ferradura, corrente de aço, cravos de ferradura, búzios, moedas, tenaz e torquês. Ogun é o que vem primeiro, o que está sempre à frente, um líder nato. Ele conhece e domina todos os caminhos, por isso nunca se perde e está sempre ajudando, quando corretamente evocado. É detentor do metal ferroso, com o qual fabrica suas armas e ferramentas com muita habilidade. Tornou-se especialista nessa arte, pois, a cada caminho que desbravava, ou a cada guerra que empreendia, precisava inventar uma ferramenta apropriada. Isso provocou uma grande revolução nesse meio, pois, com o advento do ferro, as antigas ferramentas de madeira e pedra lascada ficaram obsoletas, sendo substituídas pela precisão desse metal. Isso despertou o interesse dos outros orixás, que vieram aprender, com Ogun, essa técnica. Costuma-se colocar, em seus assentamentos, uma bigorna para realçar essa habilidade. Ogun representa o trabalhador manual, aquele que transforma a matéria prima em produto acabado. É o senhor da guerra, que, por vezes, se enfurece, devastando tudo que atrapalhar seu caminho. Ele derrota o inimigo em seu campo de batalha. Sua ira é incontrolável! A guerra que Ogun trava nem sempre é destruidora. Ao contrário, se essa energia for bem canalizada, poderá ser utilizada para alcançar objetivos nobres, traçar novas diretrizes e vencer os obstáculos da vida. Além de poderoso guerreiro, é também um exímio caçador, assim como Odé, seu irmão. Ogun, que conhece os caminhos como ninguém, sabe onde encontrar sua caça. Ele não fica parado esperando, vai atrás dela, até conseguir capturá-la. É protetor da agricultura, juntamente com o orixá Oko, reinando nas profundezas da terra, onde irá fertilizá-la com seu extremo poder. Ogun tem uma ligação muito grande com o orixá Exú, sendo, às vezes, confundido com ele. A confusão existe porque os dois orixás dominam todos os caminhos e estão sempre na dianteira. É Exú quem consegue aplacar a ira de Ogun. Por causa da violência desse orixá, não se deve evocá-lo para a destruição, pois, se ele não encontrar o inimigo, irá voltar-se contra quem o chamou. As folhas da palmeira, ou mariwo, são muito apreciadas por ele, fazendo parte de sua indumentária.





Descendente direto de Ògún ( Ekiti Nigéria ) e Santuáriode Ògún ( África )

LENDAS DE OGUN

Ogun vivia em sua aldeia, quando foi requisitado para uma guerra, que não tinha data para acabar. Antes de partir, ele exigiu que seus habitantes dedicassem um dia em sua homenagem, fazendo o sacrifício de jejuar e fazer silêncio absoluto, além de outras oferendas. Partiu, em sua longa jornada, para os campos de batalha, onde permaneceu sete anos. No regresso à sua aldeia, caminhou durante muitos dias, sentindo muito cansaço. A fome e a sede também o atormentavam. Na primeira casa que encontrou pediu água e comida, mas ninguém o atendeu, permanecendo calados e de olhos fixos no chão. Resolveu, então, fazer outra tentativa na próxima casa, mas a cena foi a mesma, o que despertou sua ira. Ele esbravejou com os moradores, exigindo que falassem com ele, mas ninguém o fez. Não se conformava com tamanha falta de respeito, depois de ter lutado tanto! Ogun esperava uma recepção calorosa em sua própria aldeia, mas, ao contrário, só encontrou silêncio. À medida que avançava pelo interior da cidade, a mesma coisa se repetia, casa após casa. Ogun nem imaginava o que estava acontecendo. Perguntava e não recebia resposta. Sua ira já estava incontrolável, quando chegou ao centro do povoado, onde haviam muitas pessoas. Estranhou o fato de ninguém estar conversando. Perguntou a eles onde estavam suas famílias, mas não obteve resposta. Era uma afronta! Foi assim que, evocando todos os seus poderes, Ogun dizimou sua própria aldeia.
Caçadores que passavam pela cidade, entre eles seu filho, o reconheceram e tentaram aproximar-se. Vendo que sua cólera era imensa, resolveram evocar Exú para acalmá-lo. A ira desse orixá finalmente foi aplacada. Seu filho, indignado ao ver tanta destruição, indagou o motivo que levou seu pai a cometer tal atrocidade. Ogun respondeu que aquelas pessoas lhe faltaram com respeito quando não o reconheceram. Precisavam de um castigo. Foi, então, que seu filho fez-lhe lembrar da exigência que fizera antes de partir para a guerra. Ogun, tomado pelo remorso, devido à sua crueldade com pessoas que só estavam obedecendo ordens, abriu o chão com sua espada enterrando-se de pé.

Lògún ó akofà - Ele é Lògún, peguemos o arco e a flecha



É um orixá cultuado na região de Ijesá, ( Ijexá ) na Nigéria. Segundo a mitologia, Logun é filho de outros dois orixás, que são Oxun Ipondá e Odé Erinlé (ou Imbualama). É considerado o príncipe dos orixás. Possui o conhecimento dos elementos da natureza, onde reinam seus pais, como florestas, matas, rios, cachoeiras, etc. Seu próprio domínio está situado nas margens de rios, córregos e cursos d’água em geral, desde que tenham vegetação, ou seja, o encontro dos dois reinados. Esse orixá vem sendo erroneamente associado à dualidade sexual. Muitos estudiosos no assunto afirmam que Logun vive seis meses como homem, igual ao seu pai Odé, e, nos outros seis meses, transforma-se numa mulher, como sua mãe Oxun.
Logun é um orixá soberano e não passa por transformações sexuais. Isso acontece, com freqüência, aqui na Terra, com os seres humanos. Os orixás estão anos-luz adiante dessas questões.
Na verdade, esse orixá tem livre acesso aos dois reinados, adquirindo o conhecimento de ambos. Consegue adaptar-se, com facilidade, aos mais diversos ambientes, agindo e comportando-se de diferentes formas, dependendo da situação.
Ele herdou, também, muitas das características de seus pais, como a habilidade de caçar e conseguir fortuna, o encanto e a beleza, bem como um grande conhecimento de feitiçaria, como sua mãe. Além desses atributos, é, também, responsável pela fertilização das terras, através da irrigação, contribuindo, assim, com a agricultura. Esse orixá possui muita riqueza e sabedoria, não admitindo a imperfeição em suas oferendas e rituais. Tem aparência doce e calma, mas, quando contrariado, torna-se muito enfurecido. Uma outra característica de Logun é a de importar-se com o sofrimento dos outros, distribuindo riquezas e caças para os que não têm. Suas ferramentas são o abebe e o ofá. Seu símbolo é uma balança, representando o equilíbrio. Esse deus, segundo se conta na África,tem aversão por roupas vermelhas ou marrons. Nenhum dos seus adeptos ousaria utilizar essas cores no seu vestuário. O azul-turquesa entretanto parece ter sua aprovação.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE LOGUN-EDÉ

São pessoas de extremo charme e carisma, possuindo muitos amigos e admiradores.Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre tentando ajudá-las. A sinceridade é a sua maior virtude, porém irrita-se com muita facilidade. Basta ser contrariado e sua fúria aparece, muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando muito a acalmar-se. São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem erros por parte de outras pessoas.Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida lhe oferece. São muito curiosos e espertos. Geralmente, quando crianças, adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos. Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas. Os filhos de Logun têm muito interesse em aprender e viver novas experiências. Assim como o orixá, adaptam-se a todo tipo de ambiente e sabem como agir em cada situação. Têm uma característica curiosa, que é a de estar sempre machucando as extremidades das mãos, pés e cabeça.

LENDAS DE LOGUN

No início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um tesouro. É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxun, e o grande caçador Odé. Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos. Odé ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorun. Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação. Olorun resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar apaziguá-los. A floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. Odé não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar. Oxun, por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de seus filhos peixes para confortá-la. Odé andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum. Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada. Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação era a reconciliação. Odé, então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxun queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorun. Dessa união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logun-Edé, que iria consolidar esse "casamento", bem como abrandar os ímpetos de seus pais. Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade.

Òsóòsí Ode òkè àró - Salve o Caçador



É o orixá caçador, que vive nas florestas e nas terras verdes não cultivadas. Está associado à lua e à noite, por ser o melhor momento para a caça. Sua técnica consiste em esperar, pacientemente, a preza aproximar-se para, então, deferir seu tiro certeiro.

Orixá poderoso, encantado do maior respeito, suas festas são de grande beleza e opulência. Uma delas, a das Quartinhas de Oxossi, no candomblé do Gantois, onde reina a veneranda Mãe Menininha, é inesquecível espetáculo.

Sua principal ferramenta é o ofá (arco) e a flecha, muito utilizados em sua arte. Acredita-se que esse orixá conhece o segredo do nosso planeta, pois os dois hemisférios (norte e sul), quando separados, assemelham-se ao seu arco.

Outra ferramenta importante é o erukerê, objeto sagrado feito com o rabo de búfalo, utilizado, especialmente, para a magia. Seus poderes mágicos são muito importantes, através dos quais os caçadores enfrentam os seres encantados que habitam as florestas. O erukerê, que é detentor de "axé", também serve para espalhar a fertilidade pelo mundo. Na mitologia yorubana, Odé é filho de Yemonjá e irmão de Ogun, que, assim como ele, adora a liberdade. É muito confundido com a caçadora Oxóssi, seu correspondente feminino. Ambos estão relacionados à fartura, prosperidade e à eterna convivência com a natureza. Odé tem como missão trazer caça para todos os povos do mundo. A caça simboliza o alimento necessário para a sobrevivência das espécies e, também, a busca de novos caminhos para o desenvolvimento. A atividade de caçador sempre foi considerada pioneira e muito importante, trazendo para seus integrantes uma posição de destaque entre os seus. Devido à sua principal atividade, Odé permanece muito tempo isolado, concentrando-se totalmente na tarefa que está desempenhando. Odé também é reverenciado durante os rituais de colheita e de fertilização do solo.


CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE ODÉ

O arquétipo de Oxóssi é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. A determinação e a paciência para aguardar o momento certo de agir, fazem parte da sua personalidade. São joviais, rápidos e espertos, sempre com um olhar atento e vivo. Possuem um corpo esguio, sendo geralmente magros e pouco musculosos. Suas mãos são delgadas e finas. Movimentam-se quase que flutuando, com muita leveza no andar. É um orixá de pessoas presas ao cotidiano e de homens comuns, que não sonham muito. Alguns filhos desse orixá possuem muita criatividade e dons artísticos.

LENDAS DE ODÉ
Na cidade de Ifé, realizavam-se festividades e rituais por ocasião das colheitas. Os sacerdotes da aldeia, fugindo aos seus costumes, não realizavam as oferendas obrigatórias para três das maiores bruxas conhecidas: as Iya-mi Oxorongás. Esse ato imperdoável precisava de uma boa punição. Foi assim que elas enviaram um enorme pássaro para assombrar aquela aldeia. A ave ficou pousada no telhado do palácio, de onde podia avistar toda a cidade. Um clima de medo e mau agouro espalhou-se entre os moradores, que não sabiam o que fazer para acabar com aquele terrível monstro. Oferendas foram realizadas para as Oxorongás, mas sem resultado. Era tarde demais para isso. Foi então que alguns caçadores se apresentaram para matar o pássaro das bruxas, mas foram todos derrotados. O último caçador possuía apenas uma flecha, e era a última esperança de livrar a aldeia da morte. Esse caçador era Odé. Sua mãe, que estava longe daquele lugar, teve um mau presságio com relação a ele. Consultando um babalawô, teve a confirmação do que já sabia: seu filho corria grande perigo. Foram necessárias muitas oferendas para que a missão de Odé fosse executada com perfeição e, graças a isso, Odé pôde matar o pássaro com sua única flecha, livrando sua aldeia da aniquilação. Desde então, vem sendo venerado por esse povo.