quarta-feira, 28 de outubro de 2009

MATÉRIA JORNAL ICAPRA ''CANDOMBLÉ PERDE SUA ÀGBÀ DA FAMÍLIA BAMGBOSE OBTICO''

Matéria Assinada Pelo Professor e Amigo - ''José Beniste''
O mês que passou registrou a perda de uma das últimas Iyalorixas, pertencente a uma rica geração de matriarcas plenamente identificada com as rígidas normas do Candomblé. Regina Topázio de Souza, mais conhecida como Mãe Regina de Bamgbose, foi sempre consciente de suas origens, sabendo preservar com extrema autoridade, uma vida exemplar a ser seguida pelos seus descendentes e merecedora de estudos por ser parte integrante da história dos Candomblés do Brasil.
Sua biografia se reporta aos ancestrais familiares que viveram há mais de 200 anos no Brasil, sempre dedicados a criar uma vida de trabalho e de devoção total às crenças de seus antepassados. Foram tão competentes que influenciaram as demais raízes do Candomblé. A memória coletiva revela que Ìyá Násò, depois de organizar os primeiros momentos do Candomblé do Engenho Velho, em Salvador, resolveu ir para a África juntamente com Oba Tósí, Marcelina da Silva, por volta de 1837. Após 7 anos de permaência, retorna trazendo alguns africanos, entre eles, Bamgbose de Sango, que aqui no Brasil tomou o nome civil de Rodolpho Martins de Andrade, e que seria o patriarca de numerosos descendentes. Numa época escravocrata, assumiu condições de trabalho, como forma de ter e lhe dar condições na organização do culto, conforme desejo de todos.

A sua vinda foi de uma importância fundamental para o grupo que estava sendo formado, tentando dar forma a um modelo de ritual dentro de um padrão de possível aceitação na nova terra. Eraum grupo ligado ao culto de Sango, como Iya Nasô, Rodolpho Obitico, Joaquim Oba Sanya, Marcelina Oba Tosi e Aninha Oba Biyi, entre outros. Isto fez com que a participação deste Orisá nos ritos religiosos se tornasse relevante, com possível razão pela inclusão do Osú, como símbolo da iniciação, o uo do kele, o obrigatório Àmàlà semanal e a sequência de cântigos denominada Roda de Sango, ponto de partida para a manifestação dos demais Orixas.

Conhecido e citado como Bamgbose ( Ajuda-me a carregar o Oxê ) viria a ser reverenciado como Obitiko, ( A família que se reune ), na relação dos ancestrais citados durante o ritual de Ipade, ao lado de Asika, Ajadi, Oduro, Kayode, Adeta Okanlede e demais personagens importantes da ancestralidade afro-brasileira. Os nomes dos homens aqui relacionados possuem muita importância, pois os antigos Bavalawos eram considerados como irmãos das mães de santo e, assim, vistos como Tios merecedores do maior respeito e reverencia. Tinham eles entrada franca em todas as comunidades, e sempre consultados. Eram raros, e não como nos dias atuais. Rodolpho Bamgbose aqui teve vários filhos, sendo que uma de suas filhas viria a dar sentido a família Bamgbose. Julia Maria de Andrade, falecida em 1925 e conhecida como Vovó Julia de Sango Aganjú, cujo nome iniciático era Oba Dára ( O bom rei ). Casou-se com Eduardo Américo de Souza Gomes, um africano natural de Abeokuta, onde nasceu em 1833, e para lá tendo voltado. Um dos filhos do casal seriam personagem importante na linhagem religiosa, Felisberto Nazarenos Sowzer, ou Souza, de Ogunjá, iniciado por um tio, Ewetundé, cujo nome dado foi Oguntosí ( Ogun é digno, poderoso ). Um outro filho foi para a Nigéria e não retornou.

Em uma de suas visitas ao Rio, em 1886, Bamgbose, juntamente com Joaquim Vieira e Aninha, organizou um grupo no Bairro da Saúde, num local de reunião de antigos cativos e libertos, talvez um antigo Zungu, deixando alguns símbolos e pedras ligados a Sango, que viria fazer parte da hitória do futuro Axé Opo Afonjá, do Rio. Em uma viagem de Recife para Salvador, passou mal vindo a falecer em Salvador, em 1908. Felisberto, que ficou conhecido como Bezinho, nasceu em Lagos, na Nigéria, vinda criança para o Brasil, tornou a voltar para a África e mais tarde retornando como Babalawo Ifásesi. Talvez seja que neste transito o seu sobrenome Souza. Era inteligente instruí, pois sabia falar inglês e nagô. Passou a viver com uma senhora africana chamada Damásia com quem teve duas filhas, Tertuliana Sowzer de Jesus, iniciada para Ibualámo Ode Tibuse, e Caetana Américo de Souza, já felecida, e que fez Osun Iyeponda. Fundou o Ilê Axé Lajuomin em 1941, em Salvador. Air Jose de Souza de Osagiyan Iwin Solá ( Oxaguiãn gerou a honra e prosperidade ). Filho carnal de Tertuliana e iniciado por Caetana, sua tia viria a fundar, em Salvador, o Ilé Odo Oje, Casa do Pilão de Prata, em 1964. Caetana tem seu rosto esculpido em broze com o título de Mãe Preta, na frente do Terreiro.

Em seu segundo casamento, com uma filha de Santo de Vovó Júlia, teve quatro filhos: Crispim de Souza, de Osoosi, Taurino de Souza de Osala, Regina Topasio de Souza, nascida em 1914, de Yemonja Ogunte, com o nome iniciático de Omi Olà ( As águas da fortuna, da riqueza ), e Irene Souza dos Santos, nascida em 1919, de Sango, cujo o nome dado foi Oba Dipo ( O rei ocupa o seu lugar ), e que teve como Mãe-Pequena, Aninha Oba Biyi. Regina com 6 anos de idade, e Caetana com 13 anos foram iniciadas num mesmo barco, pelas mãos de Judith de Oya, uma filha de santo de Benzinho. Vindo para o Rio, no início do século passado, Benzinho passou a exercer suas atividades na Rua Marques de Sapucaí, no centro da cidade, e depois, na Rua Navarro, no Catumbi. Aqui viveu na mesma época de Abedé, Alágba, Pequena de Osala e Aninha, que aqui estava, tendo ambos feito o axexê de Abedé em 1933. Foi o autor dos textos da Fecundação os Odús, um sistema de jogo de búzios, mais prático do que o intrincado sistema de ifá, devidamente adaptado à nossa realidade. Todos os Caminhos para a prática do jogo foram legados a seus filhos, tendo sido, mais tarde, adotado por todos que se utilizavam da prática do jogo por Odú.

Benzinho Bamgbose morreu no Rio, em 1943, com 6 anos de idade, tendo mais tarde seu corpo sido transferido para Salvador no mesmo cemitério onde seu avô foi enterrado na Igreja do Pelourinho. Seus descendentes, Caetana e Irene, abriram casa em Salvador; Regina de Yemonja, ficou no Rio e abriu sua casa, em Santa Cruz da Serra, o Ilê Axé Iya Omi, no subúrbio de Caxias, em 1957, ficando à frente até o sei falecimento. Os Bamgbose possuem grande expressão e, sobretudo, reonhecimento, em razão de seus descendentes serem atuantes no meio religioso, com a distinação de serem iniciados, realizando suas obrigações, de preferência entre sí. Sendo a família biológica do Candomblé, de maior número de integrantes, transformaram o importante título Yorubá, em uma denominação marcante representativa de rica linhagem familiar, a Família dos Bamgbose.

Notas da Matéria ( Por Marcos Lacerda ).

Ya Regina de Bamgbose, fez a passagem às 15hs, na data de 25 de Setembro de 2009 de falência múltiplas de orgãos. Nascida na cidade de Salvador, no bairro Matatu do Alto, hoje conhecido como Brotas na data de 7 de Setembro 1911, mas registrada somente em 1914. Foi assistido seu corpo em seu Ilê Axé Yá Omim, sendo sepultada no jardim da Saudade de Mesquita RJ. O Axexê foi realizado de 19 até 26 de Outubro de 2009. E foi conduzido por Airzinho do Pilão de Prata, seus sobrinho carnal. Ya Regina Bamgbose será perpetuada como um exemplo de dedicação ao sagrado, dedicou-se com amor e seriedade aos Orixas e somente em Junho desse ano, deixou de jogar búzios, quando por determinação de Sango, encerrando suas atividades.

Está matéria foi extraída do Jornal Icapra e parte descrito do Livro '' História dos Candomblés do Rio de Janeiro '', de meu Professor e Amigo '' José beniste ''.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BESOURO - DA CAPOEIRA, NASCE UM HEROI

“Besouro”, longa de estreia do diretor de filmes de publicidade João Daniel Tikhomiroff, mistura ação, drama e elementos do candomblé para recontar uma lenda oral bem brasileira. O capoeirista de corpo fechado ao seu lado se encontram os orixás, que lha dão proteção para combate os poderosos. A ação se passa em Santo Amaro da Purificação, município do Recôncavo onde nasceu a lenda do capoeirista, no começo da década de 1920. Ali, a comunidade de negros tenta se livrar do passado recente que havia passado pouco mais de 20 anos desde a abolição da escravidão, e em muitos lugares o trabalho assalariado dos negros não era muito diferente do regime em que se encontravam anteriormente.

O Besouro do filme é uma reinvenção de Manoel Henrique Porteira, que viveu até 1924. Consciente de sua condição, se preocupa em ajudar seu povo após a morte de Mestre Alípio, seu tutor na capoeira. Na tela, ele passa de lenda (ainda existem pessoas que relatam ter conhecido Manoel) a herói, enfrentando jagunços e o todo-poderoso coronel local e a capoeira, como arte marcial afro-brasileira.

Vale a pena conferir esse filme e divulgar, pois com certeza já se tornou um grande sucesso.

--------------------Veja algumas imagens do filme----------------------
Links para o Site e Blog desse filme que estréia essa semana.
Confira o Trailer do filme:

terça-feira, 20 de outubro de 2009

AJE SALUNGA




AJÉ SALUNGA

Ajê Salugá é a irmã mais nova de Yemoja. Ambas são as filhas prediletas de Olokun. Quando a imensidão das águas foi criada, Olokun dividiu os mares com suas filhas e cada uma reinou numa diferente região do oceano. Ajê Salugá ganhou o poder sobre as marés. Eram nove as filhas de Olokun e por isso se diz que são nove as Iyemojas. Dizem que Iyemoja é a mais velha Olokun e que Ajê Salugá é a Olokun caçula, mas de fato ambas são irmãs apenas. Olokun deu às suas filhas os mares e também todo o segredo que há neles. Mas nenhuma delas conhece os segredos todos, que são os segredos de Olokun. Ajê Salugá era, porém, menina muito curiosa e sempre ia bisbilhotar em todos os mares. Quando Olokun saía para o mundo, Ajê Xalugá fazia subir a maré e ia atrás cavalgando sobre as ondas. Ia disfarçada sobre as ondas, na forma de espuma borbulhante. Tão intenso e atrativo era tal brilho que às vezes cegava as pessoas que olhavam. Um dia Olokun disse à sua filha caçula:"O que dás para os outros tu também terás, serás vista pelos outros como te mostrares.Este será o teu segredo, mas sabe que qualquer segredo é sempre perigoso".Na próxima vez que Ajê Salugá saiu nas ondas, acompanhando, disfarçada, as andanças de Olokun,Seu brilho era ainda bem maior, porque maior era seu orgulho, agora detentora do segredo.Muitos homens e mulheres olhavam admirados o brilho intenso das ondas do mar e cada um com o brilho ficou cego.Sim, o seu poder cegava os homens e as mulheres.Mas quando Ajê Salugá também perdeu a visão, ela entendeu o sentido do segredo.Iyemoja está sempre com ela, Quando sai para passear nas ondas.Ela é a irmã mais nova de Iyemoja.Este itan descreve a lenda do surgimento do Orixá Aje SalugaQuando se encontrava no céu perto de Mawu, o caramujo Aje se chamava Aina e era do sexo feminino. Naquela época, Fa Ayedogun passava por sérias dificuldades financeiras e, por ser muito pobre, não era convidado a participar de qualquer festa ou reunião social. Aina, recém nascida, era muito feia. Sua aparência terrível fazia com que todos evitassem sua companhia e ninguém aceitava tê-la em casa. Depois de ser rejeitada em todas as casas, Aina bateu na porta de Fa Ayidogun, que apesar do estado de miséria em que se encontrava, acolheu a menina. Uma bela noite, Aina acordou Fa, anunciando que estava prestes a vomitar. O hospedeiro apresentou-lhe uma tigela para que vomitasse, mas ela recusou-se. Uma cabaça foi trazida e também recusada e depois, uma jarra foi objeto de nova recusa. Fá perguntou então, o que poderia fazer para ajudá-la e Aina disse: "Lá no lugar de onde venho, costuma-se vomitar todos os dias, no quarto. Conduzida ao quarto, Aina começou a vomitar todos os tipos de pedras preciosas, brancas, azuis, vermelhas, verdes, etc. Naquele momento, um marabu que passava, penetrou na casa de Fá e perguntou por Aina. "Ela está no quarto, acometida por uma crise de vômitos." Respondeu Fá. O estrangeiro foi ver o que se passava e ao deparar com Aina vomitando pedras preciosas, exclamou: "Ha! Nós não conhecíamos os poderes de Aina, hoje revelados!" Disposto a serví-la, colocou-lhe o nome de Anabi ou Ainayi, que em Yoruba quer dizer: Aina vomita, Aina deu toda riqueza a Fá Ayidogun. Os muçulmanos, depois disto, fizeram de Aina uma divindade, conhecida entre eles, como Anabi.