sábado, 22 de dezembro de 2007

Ká wòóo, Ká biyè sí Sango - Saudamos nosso Rei na Terra



Históricamente, Sàngó foi o terceiro Aláàfin de Òyó, Rei de Oyó, filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia formado uma aliança com Oranian. Cresceu no país de sua mãe, indo instalar-se mais tarde em Kòso, onde era rejeitado pela população por ser violento e impetuoso. Contudo, conseguiu impor-se pela força. Em seguida, acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Koso, que com o passar do tempo veio a fazer parte se seus oriki. Dadá Ajaká, filho mais velho de Oranian, irmão consangüíneo de Sàngó, reinava então em Oyó. Mas não tinha a energia de um verdadeiro chefe daquela época. Por isso foi destronado por Sàngó, exilando-se em Igboho, durante os sete anos de reinado de seu meio irmão. Depois que Sangó deixou Oyó, Dadá Ajaka voltou a reinar, e dessa vez mostrou-se valente guerreiro, voltando-se contra os parentes da família materna de Sàngó. Sangó é o irmão mais jovem, não somente de Dadá Ajaká, como também de Obaluayé. Entretanto não são vínculos de parentesco que permitem explicar a ligação entre o deus do trovão e o das doenças contagiosas, mas prováveis origens comuns em Tapa. Neste lugar Obaluayé seria mais antigo que Sangó, e por deferência para com o mais velho, em certas cidades como Saketé e Ifanhim sào sempre oferecidas a Obaluayé nas vésperas da celebração das cerimônias para Sángó.Governou com mãos de ferro, sendo, ao mesmo tempo, temido e adorado pelo povo. Muitas vezes comportou-se como tirano, na sua ânsia pelo poder. Alguns relatos afirmam que Xangô destronou seu próprio irmão, Ajaká, para tomar o seu lugar.Miticamente, Sangó é filho de Oranian, tendo Yamase como mãe e tres divindades como esposas: Oya, Òsun e Obà. É o orixá das pedreiras, das terras áridas e das rochas. Seu elemento é o fogo, dominando também o raio e o trovão. O metal a que pertence é o cobre.Possui, como símbolo da natureza, a pedra de raio, que se cria quando um raio cai na terra. Sua ferramenta principal é o Oxé, ou machado duplo, simbolizando a imparcialidade na hora da justiça.Xangô detém um profundo conhecimento e ligação com as árvores, de onde provêm muitos de seus objetos de culto, como a gamela e o pilão.Segundo a mitologia africana, um traço marcante desse orixá é o fato de se fazer notar, sendo muito atraente e vaidoso. Ele teve várias uniões com outros orixás, como Oxun, Obá e Oyá, que era sua prima e esposa predileta. Xangô e Oyá são inseparáveis, sendo cultuados conjuntamente. Não se faz oferendas para um sem que se faça para o outro também.Engana-se quem diz que Xangô tenha medo da morte, pelo fato de abandonar a cabeça (ou ori) de seus filhos de santo, pelo menos uns seis meses antes da morte destes. Xangô é poderoso e não tem medo de nada. O que ele não suporta é o frio que emana de um corpo sem vida. Xangô possui a energia do fogo, que irradia calor e possibilita a existência da vida. A morte e o frio são contrários à sua essência.Xangô é um orixá que teve vontade de experimentar a criação divina, ou seja, ele quis nascer e viver aqui na Terra. Como foi dito no início, existiu um rei, na cidade de Oyó, que era muito poderoso, sendo identificado como a energia Xangô.É muito violento, mas nunca gratuitamente. Quando provocado, castiga seus inimigos sem piedade, sendo implacável nas guerras de conquista, atividade que exerce com maestria. Se for necessário, Xangô usa seus poderes de feitiçaria para destruir o inimigo.Como grande amante da justiça, é imparcial em suas ações, usando toda sua autoridade para resolver as mais difíceis questões, tarefa que ninguém gosta de fazer. Sempre podemos recorrer a ele quando nos defrontarmos com questões litigiosas ou problemas jurídicos.Sàngó é viril e atrevido, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. O símbolo de Sàngó é o machado de duas lâminas estilizado, osé, trazido pelo elégun quando em transe.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE SANGO

O arquétipo de Xango é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e concientes de sua importância real ou suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência.Assim como o orixá, seus filhos são amantes da justiça, agindo com muita imparcialidade, podendo ser excelentes profissionais ligados à área jurídica. Podem também exercer cargos dentro do exército ou do governo, devido às suas qualidades de autoridade e comando.Sabem, como ninguém, administrar seu patrimônio, não deixando que nada escape ao seu controle. Embora não admitam, também gostam de controlar as despesas dos membros de sua família, mas não deixa que nada lhes falte.Fisicamente são fortes, com discreta tendência à obesidade. Geralmente, são de média ou baixa estatura, com estrutura óssea bem desenvolvida e, quase sempre, desprovidos de nádegas.Seus filhos podem ser identificados pelo forte timbre de voz, assemelhando-se ao barulho do trovão.São honestos e sinceros em seus relacionamentos, mas dificilmente fiéis. Têm a fama de mulherengos.Apresentam alta dose de energia, auto-estima e egocentrismo.Possuem uma postura nobre e hábitos aristocráticos, gostando de dar a última palavra em tudo.Enfim, o arquétipo de Xango é aquele das pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.

LENDAS DE SANGO

Xangô, quando viveu aqui na Terra, era um grande Obá (rei), muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso. Conquistou, ao longo de sua vida, muitas esposas, que disputavam um lugar em seu coração.Além disso, adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força.Em certa ocasião, Xangô estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz era o próprio trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Xangô pretendia com essa atitude, ficando ali por muito tempo, impaciente por não obter resposta. De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. As pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido.Xangô, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Era realmente algo impressionante!Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível - a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!Xangô correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara.Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera. A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Xangô, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade.Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se em Pé de Obi.Oyá, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos eguns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte. Xangô ressurge dos mortos, tornando-se um ser encantado. E foi assim que surgiu uma nova forma, ou qualidade, desse orixá, a qual chamamos Airá. Essa variação da essência de Xangô adotou, além do vermelho, a cor branca.

Òsonyín Ewé ó ! Ewé àsà ! - Oh, minhas folhas ! A folha é a tradição !



É o orixá guardião de todos os segredos das folhas, raízes e cascas.Ossaniyn ou Ossain (como se escreve habitualmente) é o deus das ervas. Comanda as folhas, as medicinais, as litúrgicas, é o mestre do mato. Sem ele nenhuma cerimônia é possível. Usa pilão, veste verde, sua ferramenta tem sete pontas, uma das quais no centro com um pássaro no alto. Bode e galo são suas comidas prediletas; sua saudação: Ewê ô! muitas vêzes é representado com uma única perna. Trata-se de um dos Orixás mais importantes.Sua atuação é fundamental para a realização das cerimônias e rituais do Candomblé. Através das rezas apropriadas, esse orixá consegue despertar o poder das folhas, que são detentoras de um poderoso axé.Cada divindade tem as suas ervas e folhas particulares, mas só Òsányìn conhece profundamente o poder ou axé das folhas. O poder de Òsányìn está num pássaro que é o seu mensageiro. Este pássaro voa por toda parte do mundo e pousa em cima da cabeça de Òsányìn para lhe contar todos os acontecimentos. Este pássaro é um simbolismo bastante conhecido das feiticeiras freqüentemente chamadas de elewú-eiyé, ou seja, "proprietárias do pássaro-poder". Òsányìn vive na floresta em companhia de àroni, um anãozinho de uma perna só que fuma um cachimbo feito de casca de caracol enfiado num talo oco cheio de suas folhas favoritas.A sua importância é fundamental, pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença, sendo ele o detentor do axé - o poder - imprescindível até mesmo aos próprios deuses. As folhas nascidas das árvores e as plantas constituem uma emanação direta do poder sobrenatural da terra fertilizada pela chuva (água-sêmem) e, com esse poder, a ação das folhas podem ser múltiplos, para diversos fins.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OSSAIN

São pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Daquelas que não deixam suas simpatias e antipatias intervirem nas suas decisões ou influenciarem as suas opiniões sobre pessoas e acontecimentos. É o arquétipo dos indivíduos cuja extraordinária reserva de energia criadora e resistência passiva ajuda-os a atingir os objetivos que fixaram. Daqueles que não têm uma concepção estrita e um sentido convencional de moral e da justiça. Enfim, daquelas pessoas cujos julgamentos sobre os homens e as coisas são menos fundados sobre as noções de bem e de mal do que sobre as de eficiência. São de natureza muito reservadas e tímidas, que não deixam transparecer suas emoções. Preferem ficar em casa, dentro de um mundo fechado que são capazes de criar, do que sair em badalações com amigos.Gostam do isolamento, por isso dificilmente conseguem ter bons relacionamentos amorosos. Além disso, são auto-suficientes e equilibrados.Os filhos de Ossain possuem uma grande inclinação para questões humanitárias, sensibilizando-se muito com o sofrimento das pessoas. Procuram ajudar a quem precisa, sendo despojados de vaidade e ambições.Preocupam-se com o seu bem estar e o de sua família, que protegem contra tudo e contra todos.Geralmente, gostam de estudar botânica, ou, simplesmente, mexem com as plantas com muita habilidade. Adoram preparar chás e utilizar remédios naturais.

LENDAS DE OSSAIN

Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidente. Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas. Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar a Ossain a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. "Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias", disse-lhe Xangô. Iansã aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram. Os orixás se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto. Graças ao poder (axé) que possui sobre elas. Ossain era o único orixá que sabia reconhecer e despertar os poderes mágicos das plantas e usá-los para curar as enfermidades, ou nos rituais litúrgicos. Ele sabia, como ninguém, fazer misturas mágicas com os vegetais, raízes e folhas.Os outros orixás também tinham o desejo de possuir suas próprias folhas, bem como o conhecimento necessário para receber o axé proveniente delas, mas Ossain não revelava seus segredos e não deixava ninguém apanhar folhas em suas florestas.Oyá (Yassan) não aceitava essa situação, pois sua aldeia estava sendo assolada por doenças, e nada podia ser feito. Foi, então, que ela pediu a Ossain que lhe desse algumas folhas e seus respectivos encantamentos, mas este negou-se a fazê-lo. Oyá ficou muito contrariada, não se conformando com uma atitude tão insensível. Sua fúria incontrolável fez levantar o vento. E o vento foi tão forte, que as folhas se desprenderam das árvores, voando para todos os cantos da floresta. Ossain gritava: "Minhas folhas, minhas folhas". A cabaça com os segredos ficou exposta por algum tempo, possibilitando aos orixás a oportunidade de absorver uma pequena parte desse conhecimento. Assim, os orixás cataram suas folhas, que seriam utilizadas em seus rituais sagrados; porém, não podiam dispensar a ajuda de Ossain, pois ele sempre será o grande sábio da floresta.Outra lenda nos conta que Ossain trabalhava na roça de Orunmilá, que é um orixá fun-fun (da cor branca) e detentor do conhecimento do oráculo divinatório. Ossain tinha a tarefa de cultivar os campos, mas recusava-se a limpar o terreno para fazer a semeadura. Ele não conseguia podar as plantas, pois achava utilidade em todas elas. Essas folhas podiam curar todo tipo de doença existente.Orunmilá, vendo que o serviço não saía, foi ver o que estava acontecendo.Ossain explicou seus motivos, fazendo com que o grande orixá fun-fun percebesse estar diante de um ser encantado e de grande conhecimento. Ao invés de castigá-lo, deu-lhe uma posição de destaque dentro do oráculo de Ifá. Dessa forma, Orunmilá teria, perto de si, alguém para lhe revelar os segredos das folhas.Uma lenda explica a divisão das suas folhas com os outros orixás: "Ossain havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Xangô se queixou à sua mulher, Oyá , senhora dos ventos, de que somente Ossain conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oyá levantou as saias e agitou-as impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Ossain guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore. Quando viu o que vento havia soltado a cabaça, e , que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou 'Ewé O! Ewé O!' - 'Oh! As folhas! Oh! As folhas! -, mas não pode impedir que os orixás as pegassem e as repartissem entre si.

Eparrei Oyá - Dona dos Ventos e Tempestades


Oya (Oiá) é a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Niger que, em iorubá, chama-se Odò Oya. Foi a primeira esposa de Xangô e tinha um temperamento ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oiá desobedecendo às instruções do esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava guardar só para si esse terrível poder. Oiá foi, no entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao final do seu reinado, seguiu-o na fuga para Tapá. E, quando Xangô recolheu-se para baixo da terra, em Kossô, ela fez o mesmo em Irá. Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é responsável pelo processo de evaporação de todas as águas da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.Oyá possui um grande conhecimento, adquirido através da convivência com muitos orixás, como Ogun, com quem aprendeu os caminhos; Iroko, que a ensinou a evocar o vento; Odé, com quem aprendeu a caçar; Xangô, seu eterno companheiro; Obaluaiê, com quem compartilha o reino dos Eguns; Orunmilá e Oxalá, entre outros. Vivia com eles o tempo necessário para aprender o que precisava, deixando-os em seguida, para continuar com suas andanças pelo mundo. Alguns tentaram, em vão, prendê-la, mas é impossível segurar o vento. A liberdade é muito importante para ela.Foi com Xangô, seu marido, que passou mais tempo, pois os dois se completavam. Mas, apesar disto, ergueu-se contra ele em defesa de seu povo, fazendo com que recuasse. Nem mesmo Xangô conseguiu dobrá-la.Guerreira poderosa, é também detentora de poderes de feitiçaria, não temendo nada nem ninguém. Nunca fugiu das batalhas, agindo sempre com uma força devastadora. Ela se transforma com muita rapidez para destruir o inimigo, voltando ao normal logo em seguida, como se nada tivesse acontecido.Ela tem o domínio e o conhecimento sobre os eguns (espíritos desencarnados). Após a morte e a limpeza do corpo, que é realizada por Omolu, Oyá encarrega-se de levá-los até os portais do orun (mundo paralelo). É Oyá, também, quem se encarrega de apagar as memórias das pessoas que irão renascer no aiye (Terra). Quando nós renascemos na Terra ainda conseguimos lembrar de algums fatos de nossa existência passada. Aos poucos, ainda na infância, nossa memória vai se apagando, até que todas as imagens desapareçam.

LENDAS DE OYÁ
Segundo a lenda, Oyá vivia feliz com Ogun, pois os dois tinham muitas coisas em comum, como o gosto pela guerra e o desejo de desbravar novos lugares. Gostavam da companhia um do outro, sentindo-se em harmonia. Com ele, que é conhecedor de todos os caminhos, Oyá aprendeu a andar pela Terra.Gostava muito de vê-lo trabalhar, em seu oficio de ferreiro, tentando aprender como ele confeccionava suas armas e ferramentas. Oyá pedia insistentemente que lhe fizesse uma arma para guerrear.Um dia, Ogun a surpreendeu, oferecendo-lhe uma espada curva, que era ideal para seu uso. Isso a agradou muito, tanto que, mais tarde, todo seu exército estava usando esse mesmo tipo de arma.Mas Ogun não a levava em suas batalhas, deixando-a sozinha e entediada. Sem falar no tempo que gastava em seus afazeres de ferreiro. Oyá adorava a liberdade, mas, ao mesmo tempo, não dispensava uma boa companhia. Começou a sentir-se rejeitada por ele.Foi nesse momento que Xangô, o grande rei, foi procurar Ogun, pois precisava de armas para seu exército. Ele era muito atraente e cuidadoso com sua aparência. Era impossível não notar sua presença.Ogun, aceitando o pedido, começou a produzir armas para Xangô, que tinha muita urgência. Ficaria na aldeia o tempo necessário para o término do serviço.Xangô também notou a presença de Oyá, sentindo uma grande atração por ela. Com seu jeito de ser, aproximou-se dela para trocar conhecimentos a respeito de suas habilidades. Descobriram, nessas conversas, que possuíam muitas afinidades, inclusive que não gostavam de viver isolados, assim como Ogun.Oyá estava muito interessada em Xangô e em tudo o que estava aprendendo com ele, mas não queria magoar Ogun, a quem respeitava muito.Xangô propôs-lhe uma união eterna, sem monotonia, sem solidão, viajando sempre juntos por toda a Terra. Seria uma união perfeita.Quando Ogun terminou seu trabalho, os dois já haviam partido. Ele ficou enfurecido com a traição de ambos, mesmo sabendo que sua companheira não podia ficar cativa para sempre.Partiu atrás deles para vingar sua desonra!Oyá estava vindo ao seu encontro, para explicar-lhe que não poderia mais ficar com ele, pois Xangô a completava, mas que iria respeitá-lo sempre como grande orixá da guerra.Ogun estava tão enfurecido, que não ouviu o que ela dizia, e foi com grande fúria que investiu contra ela, erguendo sua espada. Oyá, em defesa própria, também o atacou. Ela foi golpeada em nove partes do seu corpo, e Ogun em sete, formando curas. Esses números ficaram muito ligados a esses orixás, assim como as curas, que foram introduzidas nos rituais africanos.O arquétipo de Oyá-iansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações da mais extrema cólera. Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e frequentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Não suportam trabalhar em lugares fechados e, principalmente, obedecer ordens, pois não gostam de se sentir inferiorizados. Por isso, são instáveis em sua vida profissional. Não aceitam que pessoas de fora se intrometam na rotina de sua casa ou dêem palpites em sua vida familiar. Não gostam que lhe digam o que fazer, ou que lhe façam críticas.nbsp; Sempre tentarão justificar suas atitudes, mesmo que sejam injustificáveis. Dão muito valor à segurança de um lar e de uma família bem constituída e feliz. Adoram sua casa, embora não agüentem ficar presas a ela. São muito sensuais e apaixonam-se com freqüência, só aceitando viver com alguém se existir amor. Quando amam de verdade, fazem de tudo para manter essa relação. São ciumentos, possessivos e incapazes de perdoar ou esquecer uma traição.

Rora Yeyé ó fí dé rí omon Òsun - Mãe cuidadosa, aquela que usa coroa e protege os seus filhos.

Orixá cultuado na região de Ijexá, Nigéria, onde existe um rio com seu nome.Oxun domina as águas doces dos rios, lagos, córregos e cachoeiras, tendo algumas qualidades que também habitam a água salgada. É considerada a mãe dos peixes. É responsável pela irrigação e fecundação da terra, possibilitando o surgimento de uma nova vida. Ela é freqüentemente evocada para propiciar uma boa colheita. Olorun deu a ela o poder sobre a gestação e a fertilidade dos seres humanos, sendo muito ligada ao instinto maternal. Oxun protege o ser criado no momento da concepção e período intra-uterino. Olorun deu a ela o poder sobre a gestação e a fertilidade dos seres humanos, sendo muito ligada ao instinto maternal. Oxun protege o ser criado no momento da concepção e período intra-uterino. Está presente na hora do nascimento e pós-parto, tornando-se responsável pela criança o tempo necessário para que esta possa caminhar sozinha. Esse orixá também cuida de todo o órgão reprodutor feminino, bem como do ejé (sangue) que as mulheres liberam no período menstrual. Muitas oferendas são realizadas em sua homenagem, com o intuito de possuir o sagrado dom da maternidade, ou para pedir a cura de alguns dos males ginecológicos. O poder de gestação, que só as mulheres têm, é muito valorizado na mitologia africana e, por esse motivo, elas são consideradas seres mais completos. Oxalá reconhece e saúda essa dádiva feminina. Esse poder gerador permite que as mulheres sejam muito melhor feiticeiras do que os homens. Além disso, elas possuem um sexto sentido muito desenvolvido, que é a intuição.O principal emblema de Oxun é o abebe, no qual está representada a cabaça ventre. Nessa cabaça estão guardados todos os mistérios da procriação.A fertilidade, não diz respeito somente à reprodução das espécies. Num sentido mais amplo, a fertilidade irá atuar no campo das idéias, despertando a criatividade do ser humano, que possibilitará o seu desenvolvimento.Oxun está ligada à riqueza, tendo no ouro seu principal metal, que é, também, sua cor predominante. Além disso, a beleza e a graciosidade são seus predicados mais apreciados.É considerada a maior feiticeira do panteão dos orixás, sendo, muitas vezes, confundida com a própria Iya-mi Oxorongá. Tudo que sai da boca dos filhos da Oxun deve ser levado em conta, pois eles têm o poder da palavra, ensinando feitiços ou revelando presságios. Oxun esteve ligada a vários orixás, como Ogun, Xangô, Odé, Orunmilá e Exú, com quem tem uma grande afinidade.Oxum é doçura sedutora. Todos querem obter seus favores, provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam oferecendo perfumes e belos artefatos, tudo para satisfazer sua vaidade. Na mitologia dos orixás ela se apresenta com características específicas, que a tornam bastante popular nos cultos de origem negra e também nas manifestações artísticas sobre essa religiosidade. O orixá da beleza usa toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas diversas. Amante da fortuna, do esplendor e do poder, Oxum não mede esforços para alcançar seus objetivos, ainda que através de atos extremos contra quem está em seu caminho. Ela lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada. Seu maior desejo, no entanto é ser amada o que a faz correr grandes riscos, assumindo tarefas difíceis pelo bem da coletividade. Em suas aventuras, este orixá é tanto a brava guerreira, pronta para qualquer confronto, como a frágil e sensual ninfa amorosa. Determinação, malícia para ludibriar os inimigos, ternura para com seus queridos, Oxum é, sobretudo a deusa do amor. Também deusa da fertilidade, na Nigéria é dela o rio que leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos lagos fontes e rios. Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida dos homens e mulheres tão amados pela mamãe Oxum.

Este orixá encarna a identidade feminina, vivendo intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina dengosa, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos. O orixá amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada, afinal, o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto a divina mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”, mas Oxum é o próprio brilho em orixá. Ori Ieiê Ô! O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolos do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que Oiá. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. Possuem poderes de feitiçaria e muita força em suas palavras, sendo portadores de alguns presságios.O sexo é muito importante para eles, valorizando seus relacionamentos e o ser amado, desde que sejam gentis e suaves. Gostam do prazer e da inconseqüência, mas devem tomar muito cuidado com doenças sexualmente transmissíveis.

Yemonja Odò ìyá - Saudação a Mãe dos Oceanos


Yemonjá filha de Olokun ( Deus do mar ), cujo o nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá estabelecida outrora na região de Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanjá. As guerras entre nações yorubás levaram os Egbás a emigrar, em direção oeste, para Abeokutá, no inicio do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível carregar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo objetos os sagrados, suportes do Axé da divindade, e o rio Ogun, que atravessa a região, tornou-se a partir de então, a nova morada de Yemanjá.O templo principal de Yemanjá fica em Ibará, bairro da cidade de Abeokutá. Os fiéis desta divindade vão procurar, todos os anos, as águas sagradas para levar os Axés, suportes de seu poder, não no rio Ogun, mas na fonte de um de seus afluentes, chamado Lakaxá. Esta água, recolhida em jarras, é trazida em procissão para seu templo.No Brasil, Olokun é praticamente desconhecido, ao passo que Yemonjá é a grande senhora dos mares. Os pescadores brasileiros têm por ela verdadeira adoração, sendo uma poderosa protetora nos momentos de perigo, e companheira, quando a solidão do mar os invade. Eles acreditam que, se morrerem no mar, Yemonjá, em pessoa, irá conduzi-los para sua derradeira morada, e, nessa hora, poderão apreciar a deslumbrante beleza dessa mãe das águas.Orixá responsável pela concepção da vida, pela fertilidade, é totalmente ligada às águas, sendo denominada a mãe dos filhos peixes. Como sabemos, tanto pelas descobertas científicas como pelas antigas lendas africanas, a vida desenvolveu-se primeiro na água. Por isso, Yemonjá é detentora do poder da criação, ou concepção dos seres vivos.Na mitologia, ela foi mãe de Ogun e Odé, além de adotar como filhos outros orixás, como Obaluaiê e Omolu, que foram rejeitados por sua verdadeira mãe. Yemonjá possui um grande instinto maternal, sabendo cuidar com muito zelo de seus protegidos.É, muitas vezes, associada às sereias, mas, na verdade, é um orixá, e, como tal, não tem forma humana nem animal. Em todo mundo, diversos povos cultuam essas divindades que habitam as águas do mar, assumindo as mais diversas formas.Nós, seres humanos, também somos formados por água, possuindo uma pequena parte desse elemento de Yemonjá em nosso corpo. Por causa disto, é que no obori (dar comida à cabeça), ritual realizado tanto para fortalecimento do corpo da pessoa (que irá receber a energia do orixá) como para compensar o adiamento de uma obrigação do Candomblé, serão feitas oferendas também para Yemonjá, além do próprio orixá da pessoa. Todos os seres têm uma grande ligação com esse orixá, inclusive os filhos de orixás pertencentes ao elemento fogo, como Xangô.Os iawôs têm sua cabeça e os pés pintados de azul em homenagem à Yemonjá, porque ela, segundo algumas lendas, queria que todo ser humano fosse azul, como a cor de suas águas, ao invés dessa cor que se assemelha à terra.Yemonjá tem dias especiais de culto no calendário brasileiro, onde são realizadas muitas festas religiosas, com oferendas de barcos enfeitados, flores, espelhos, pentes, etc.O domínio de Yemonjá compreende a zona de arrebentação das ondas ou quebra-mar, e não a praia. O mar despeja todo o seu lixo na areia da praia, que é um lugar onde não devem ser feitas oferendas.Yemonjá é o orixá da paz, da ausência de conflitos e da fartura.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE YEMONJÁ
As mulheres desse orixá assumem a condição de dona do lar, mãe e mulher. Como mães, sabem cuidar muito bem de sua prole, em todos os sentidos, preocupando-se com a saúde, higiene, aprendizado, educação e alimentação. Geralmente, são muito severas e, às vezes, cometem alguns exageros nesses cuidados. Elas não descansam enquanto tudo não estiver dentro dos padrões estabelecidos por elas próprias.São perfeccionistas em tudo que fazem, e não gostam das coisas malfeitas. Adoram limpeza e organização, sempre conferindo se o serviço foi bem feito, caso elas mesmas não possam assumir as tarefas do lar. Mesmo trabalhando fora, não descuidam de sua casa e do bem estar de sua família, que geralmente é numerosa.Não gostam da solidão, por isso dão muito valor à sua vida familiar, sendo muito carinhosas com seus entes queridos. Mesmo que, às vezes, ajam com austeridade, elas estão única e exclusivamente pensando no bem-estar de todos. Freqüentemente, esquecem de si próprias, de seus anseios e necessidades, para trabalhar em prol da felicidade dos que ama. Tendem a ser a mãe de todos que as cercam.Os filhos de Yemonjá assumem muitas responsabilidades, encarando os problemas com inteligência e sempre encontrando a melhor solução. Adoram mandar, por isso têm a fama de autoritários.Não gostam de empregos competitivos, preferindo os mais calmos, que possibilitem um bom desenvolvimento de seu trabalho. São pessoas muito confiáveis e competentes no que fazem. Sem muitas ambições, preferem viver bem e com segurança o seu dia a dia, do que sonhar acordado.A força e a determinação são traços marcantes de sua personalidade, assim como a amizade e o companheirismo.São discretos e capazes de fazer chantagens emocionais, mas nunca diabólicas.Demoram muito para confiar em alguém, pois não gostam de ser apunhalados pelas costas. Embora possuam grande capacidade de perdoar, nunca esquecem o que lhe fazem, tanto de bom, quanto de ruim.Têm muito jeito para ensinar, principalmente as crianças, sendo ótimas professoras.Os filhos de Yemonjá gostam de luxo, jóias, bons tecidos e conforto. Não apreciam as viagens e detestam hotéis, pois nada se compara à sua casa.Fisicamente, são pessoas que possuem tendência a engordar, sendo, na sua maioria, pessoas cheinhas. São bons garfos e bons cozinheiros, não dispensando os doces e as guloseimas.Podem apresentar problemas nos rins e tendência a reter líquidos no organismo.A sexualidade é um pouco reprimida, sendo pudicas e tímidas nessa área.Encaram a vida como uma grande jornada de travessia longa e difícil, mas encaram isso com muito paz.
LENDAS DE YEMONJÁ
Yemonjá, grande orixá das águas, era filha de Olokun, o senhor dos oceanos. Era possuidora de um grande instinto maternal, que fez dela mãe de dez filhos. Embora casada, não tinha grande apego por seu marido. Às vezes, pensava em deixá-lo, mas ele era um homem muito importante e poderoso, e não permitiria tal desonra. Yemonjá também pensava no bem-estar de seus filhos, não podendo deixá-los desamparados.Seu marido usava o poder com tirania, inclusive com sua família, tornando a vida dela insuportável. Ela não agüentava mais se submeter aos caprichos de um homem que ela desprezava.Ela procurou seu pai para aconselhar-se sobre a atitude que deveria tomar. No fundo, ela já estava decidida a fugir, mas precisava de seu apoio. Olokun não a recriminou, pois ela era uma soberana e, como tal, não poderia aceitar o jugo de ninguém. Ele, então, deu à sua filha uma cabaça com encantamentos, para que ela usasse quando estivesse em perigo.Yemonjá colocou seu plano em prática, fugindo com todos os seus filhos.Quando ela já estava bem longe de sua aldeia, viu que estava sendo perseguida pelo exército de seu marido. Pensou em enfrentá-los, mas eles eram muitos e seria uma luta desleal. Yemonjá odeia os confrontos, pela destruição que causam, já que é um orixá propagador de vida.Quando se sentiu acuada, resolveu abrir a cabaça e pedir socorro ao seu pai. Do seu interior escoou um líquido escuro, que, ao tocar o chão, imediatamente formou um rio, que corria em direção ao oceano.Foi nessas águas que Yemonjá e seu povo encontraram um caminho para a liberdade.

Sálù bá Nàná Burúkú - Nós refugiaremos com Nàná da morte ruím


Nàná é um vodun (orixá) da nação Gêge, de tempos imemoriais. Está associada aos mitos da criação da Terra, sendo a precursora de todas as divindades que têm o poder de gerar a vida. É o lado feminino dos criadores do mundo.Grande Senhora das terras molhadas e fecundas, com a qual foram criados todos os seres, reina na lama, que formou a Terra, nas águas paradas e pântanos.Ao mesmo tempo em que dá vida às criaturas, faz com que retornem ao seu elemento de origem para, mais tarde, renascerem na Terra, formando o ciclo da vida e da morte. Por isso, nós acreditamos que o corpo, após a morte, deve ser devolvido à terra, de onde ele saiu um dia.Nanan, pelo fato de ser um dos primeiros orixás criados por Olorun, é caracterizada como uma anciã, ou uma avó. Novamente, caímos no erro de comparar uma energia sobrenatural, que é o orixá, com simples mortais, atribuindo-lhes uma idade cronológica humana. É guardiã do reinado dos eguns e ancestrais, assim como seu filho Obaluayê, usando o ibirin (espécie de bastão ritual com a ponta curva, confeccionado com palha da costa e búzios) como elemento controlador e genitor.Sua existência vem de tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro, por isso, em seus rituais, não devem ser utilizados objetos cortantes de metal.Nunca devemos evocá-la sem um motivo muito forte. Mesmo seus próprios filhos. É um orixá muito poderoso e de tendência devastadora, quando provocado. Seus preceitos são extremamente complexos e ricos em detalhes. Se o babalorixá não tiver perícia e conhecimento, poderá cometer erros que serão fatais, tanto para ele como para o iniciado. Raramente um filho de Nanan é incorporado por sua energia, sendo que suas aparições nos terreiros têm um intervalo mínimo de três anos. Quando alguém a incorpora, deve-se interromper o xirê para saudá-la em especial. Coloca-se, em suas mãos, um cajado de ponta curva, recoberto de búzios, e uma base de palha desfiada, com o qual ela insinua uma varredura do ambiente, limpando-o de todas as más influências. Se a noviça não estiver paramentada com as roupas rituais, amarra-se um torço na cabeça, juntamente com algumas folhas especiais de Nanan (mamona, flor da noite, etc.), recobrindo os olhos. Os voduns Gêges não costumam revelar seu rosto.Os fundamentos necessários para louvar esse orixá pertencem à cultura Gêge. Mesmo que existam filhos de Nanan em outras nações, todos os preceitos devem ser feitos dentro dos rituais desta nação.Nanan vive nas madrugadas, quando o orvalho umedece a terra. Por isso, só aceita oferendas em sua homenagem após as três horas da manhã, quando o sol ainda não se levantou. O babalorixá não deve deixar esses ebós à mostra, e deverá abandonar o local dos rituais rapidamente, pois existe o risco de aparecerem cobras perto da comida.Os búzios também fazem parte de seus paramentos, ornando seu cajado, o ibiri e o brajá.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE NANÃ
Nanã Buruku é o arquétipo das pessoas que agem com calma, benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade à sua frente para acabar seus afazeres. Elas gostam das crianças e educam-nas, talvez, com excesso de doçura e mansidão, pois têm tendência a se comportarem com a indulgência dos avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência de suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
LENDAS DE NANÃ
Disputa entre NANÃ BURUKU e OGUM
Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda, sempre, à frente dos outros Imalés. Eles vão, um dia, a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre seus poderes. Eles falam muito sobre obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exú: "Ah! É um importante mensageiro!" Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem: "É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!" Nanã Buruku contesta então: "Não digam isto. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?" Os demais orixás respondem: "É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar." Nanã conclui que não renderá homenagem a Ogum. "Por que não haverá um outro Imalé mais importante?" Ogum diz: "Ah! Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça." Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem assim por muito tempo. Ogum perguntando: "Voce pretende que eu não seja indispensável?" Nanã garatindo que isto ela podia afirmar dez vezes. Ogum diz então: "Muito bem! Voce vai saber que eu sou indispensável para todas as coisas." Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ela não utilizará absolutamente nada fabricado por Ogum e poderá, ainda assim, tudo realizar. Ogum questiona: "Como voce fará? Voce não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos." Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal, eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para o esquartejar. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não pode ser utilizada a faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã.

Òsùmàrè Arô Boboi ! - Saúdo o Intermediário ! Os olhos de Deus

OSUMARE ou ESUMARE é a única divindade que traz em seu nome a raiz do nome de OLODUNMARE, o Criador - o sufixo MARE. MARE significa "Aquele que sempre é", "Aquele que tem autoridade sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável", "Aquele que é absolutamente perfeito", "Supremo em qualidades". O significado do nome ESUMARE referencia diretamente o próprio papel desse EBORA, na manifestação e execução do projeto de OLODUNMARE, através do qual o ase se esparrama pela terra, enquanto poder de realização, garantindo através de ESUMARE os ciclos em que se operam cada etapa de transformações inerentes ao ritmo da vida, em seu movimento bipolar de fluxo e refluxo, a garantir a continuidade da existência. Grande Obá (rei) da nação Gêge, filho de Orixalá (Oulissassa) e Nanan (Anabioko), irmão de Obaluayê e Iroko. Olorun atribuiu-lhe a função de dar mobilidade a todos os seres da Terra, representando a coluna vertebral, nos seres mais desenvolvidos. É o orixá da transformação, do movimento constante e da harmonia do universo. Poderoso vodun, é responsável pela evolução, em todos os sentidos. Obessem (Dan), como é chamado na nação Gêge, é representado pela cobra não venenosa, que morde a própria cauda. Veio, dessa forma, para a Terra, para selar a união das duas metades do planeta, ou hemisférios. Também uniu as duas metades da maioria dos seres vivos, ou seja, o lado direito e o esquerdo. O grande Deus, Olorun, esticou Obessen, para que percorresse e abraçasse todo planeta. Nessas andanças, a serpente traçou sulcos na terra, formando o leito de rios e lagos, que mais tarde foram preenchidos com água. Graças a esse fenômeno, grandes extensões de terra foram irrigadas e fertilizadas. A terra molhada é muito importante na concepção religiosa africana, pois representa a fecundação. Sem isso, não poderia haver evolução e renovação da natureza. Isso também pode ser notado no processo de reprodução dos seres humanos, onde o óvulo feminino simboliza a terra, e o sêmen a água. Contam as lendas que Oxunmare foi incumbido de fazer retornar para o orun (céu) todas as águas do planeta (juntamente com uma qualidade do orixá Oyá, é responsável pelo fenômeno de evaporação). Esse ciclo interminável, simbolizado pelo arco-íris, que surge quando a água, que foi devolvida para o céu, caia novamente na terra em forma de chuva, faz com que esse orixá reinicie seu trabalho, que nunca tem fim. Esse processo é muito importante, pois a água limpa, que cai na terra, purifica a natureza e os seres, preservando a vidaA aliança entre o céu e a Terra foi estabelecida através do arco-íris, onde Oxunmare revela para o mundo todas as suas cores. Esse orixá transporta as riquezas de um plano a outro da existência.Foi com as sete cores do arco-íris, e as diversas combinações entre elas, que Oxunmare tornou toda a Terra multicolorida, diferenciando todas as espécies. Se fosse pela vontade de Yemonjá, tudo seria azul, como as águas; Nanan preferia as diferente nuanças da cor terra; e Oxalá deixaria todo planeta incolor.Além do arco-íris do sol, Oxunmare também mostra suas cores ao redor da lua, em alguns dias do ano. Nessa noite, em que a lua exibe sua aureola colorida, pode-se fazer um ebó muito poderoso, para retirar todas as nossas mazelas. Obessem, como rei da nação Gêge, é detentor de grande poder, fortuna e conhecimento profundo do universo. A cobra vem do céu para a Terra perfurando-a e saindo pelo outro lado. Por isso, os assentamentos desse orixá são simbolizados por dois poços abertos na terra, sem comunicação entre eles, para representar o movimento que a cobra faz ao atravessar todo o planeta, por suas entranhas. Em sua indumentária, que são representadas por várias cores, aparecem o braja (colar de búzios) trançado e finalizado por três cabaças (onde estão guardados seus segredos), uma pequena lança e duas cobras escuras de ferro. Sua coroa (ade) pode ter formato de serpente. Nas festas públicas, quando se evoca esse orixá, através das cantigas que se entoam ao som dos atabaques, coloca-se uma cuia de água no centro do barracão, onde todos os iniciados irão reverenciar esse orixá, tocando as mãos na água e levando-a à cabeça, em sinal de respeito ao grande Obá, que transporta as águas para o céu. Òsùmàrè é, ao mesmo tempo, macho e fêmea. Essa dupla natureza parece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-iris. Representa tambem a riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos Yorubá. O lugar de origem desse Òrìsà, como Obalúayé e Nàná, seria em Mahi, no ex-Dahomé, onde é chamado Dan. As contas azuis, segui para os Yorubá, são aí chamadas Danmi (excremento de serpente) na língua fon. Segund a tradição, essas contas são encontradas sob a terra, onde elas teriam sido evacuadas pelas serpentes, diz-se que elas tem um valor igual ao próprio peso em ouro.




CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXUNMARE



Oxumare é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacríficios para atingir seus objetivos. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. Não deixam de possuir certa generosidade e nçao se negam a estender a mão em socorro. São pessoas ambiciosas, que fazem o possível para vencerem na vida. Possuem o dom da paciência e da perseverança. Não se deixam abater pelas contrariedades que a vida lhes traz, revertendo sempre a situação a seu favor. Quando conseguem uma certa projeção social, tornam-se orgulhosos e, às vezes, arrogantes, ao tentarem diminuir as pessoas que o cercam. Eles sempre se destacam em qualquer ambiente, exibindo toda a sua soberania.Os filhos de Oxunmare são muito bons de coração, apiedando-se do sofrimento alheio e não se negando a ajudá-los. Não suportam ser colocados de lado ou serem traídos de alguma forma. Nessas situações, reagem usando alguns subterfúgios, para que esses inimigos sintam sua presença forte e ameaçadora, o que geralmente conseguem. Num confronto pessoal, agem com muita calma e coragem, falando tudo o que têm vontade, deixando a outra pessoa sem reação. São ótimos mantenedores de uma casa e sabem fazer de tudo, sempre da melhor maneira possível, com muito gosto e jeito. Na cozinha, são rápidos, eficientes e sabem cozinhar iguarias que poucas pessoas se dão ao trabalho de fazer. As pessoas desse orixá são muito comunicativas e extrovertidas, fazendo seu próprio ambiente onde quer que estejam. São altivos e orgulhos de suas habilidades, provocando inveja em muitas pessoas.Mesmo que estejam passando por momentos difíceis, estão sempre dispostos a enfrentar os problemas, ao invés de fugir deles. São muito dinâmicos, indo atrás de novidades em todos os sentidos. Desempenham muito bem tudo o que se propõem a fazer, demonstrando extrema segurança em suas ações. Emocionalmente, são instáveis e com tendência à solidão, mesmo que acompanhados, provocando nas pessoas todo tipo de sentimento, como amor, ódio, alegria, compaixão, admiração, etc. Um aspecto negativo dessas pessoas é o fato de quererem impor suas idéias e personalidade, o que acaba provocando muitos atritos em família.Apreciam e conhecem jóias, bons tecidos, automóveis, bebidas caras, bons restaurantes, etc.Podem ser ótimos sacerdotes de qualquer religião, pois conseguem captar facilmente os sentimentos das pessoas.

LENDAS DE OSUMARE

Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni. Sua única ocupação era ir ao palácio real no dia do segredo; dia que dá início à semana, de quatro dias, dos iorubás. O rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a cada semana, uma quantia irrisória a Oxumaré que, por essa razão vivia na miséria com sua família. O pai de Oxumaré tinha um belo apelido. Chamavam-no "o proprietário do chale de cores brilhantes". Mas tal como seu filho, ele não tinha poder. As pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado por esta triste situação, consultou Ifá. "como tornar-me rico, respeitado, conhecido e admiradopor todos?" Ifá o aconselhou a fazer oferendas. Ele disse-lhe que oferecesse uma faca de bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. No momento que Oxumaré fazia estas oferendas, o rei mandou chama-lo. Oxumaré respondeu: "Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia." O rei, irritado pela espera, humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a remessa de seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à sua casa, Oxumaré recebeu um recado: Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu filho que estava doente. Ele não podia manter-se de pé. Caía, rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro.Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum, encantada por este resultado, recompensou Oxumaré. Ela ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de rico tecido. Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, sobre o qual Oxumaré retornou à sua casa em grande estilo. Um escravo fazia rodopiar um guarda sol sobre sua cabeça e músicoa cantavam seus louvores.Oxumaré foi, assim, saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe: "Oh! De onde vieste? De onde sairam todas estas riquezas?" Oxumaré respondeu-lhe que a rainha Olokum o havia consultado. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por voce!" Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros presentes. Oxumaré tornou-se, assim, rico e respeitado. Oxumaré, entretanto, não era amigo de Chuva. Quando Chuva reunia as nuvens, Oxumaré agitava sua faca de bronze e a apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. Todos gritavam: "Oxumaré apareceu!" Oxumaré tornou-se, assim, muito célebre. Nesta época, Olodumaré, o deus supremo, aquele que estende a esteira real em casa e caminha na chuva, começou a sofrer da vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumaré e o mal dos seus olhos foram curados. Depois disso, Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retornasse a Terra. Desde esse dia, é no céu que ele mora e só tem permissão para visitar a Terra a cada três anos. É durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas."

OUTRA LENDA

Oxunmare, filho de Nanan e Orixalá, recebeu de Olorun uma missão muito especial e importante para dar continuidade ao processo de criação e renovação da natureza. Sua tarefa consistia em carregar, dentro de suas cabaças, toda água da Terra de volta para o céu. Era uma tarefa árdua e interminável, pois, nem bem ele enchia as nuvens, a água já começava a escorrer, molhando tudo novamente. Ele não tinha tempo a perder, mas, numa dessas viagens, parou para olhar a Terra e viu um imenso lugar, onde tudo era extraído da lama. Estava faltando alguma coisa para dar mais alegria ao lugar. O próprio Oxunmare já tinha colocado em movimento todos os seres criados, como Olorun havia ordenado, mas ainda não bastava, tudo parecia muito igual e sem vibração. Ele resolveu, então, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar uma maneira de trazer mais felicidade para a Terra, e Olorun concedeu a ele a realização desse desejo. Quando estava carregando água, sem querer, deixou cair algumas gotas pelo caminho. De repente, formou-se um arco colorido, de uma beleza incrível. Aquele arco mostrava as cores do universo, e, através dele e de suas infinitas combinações, Oxunmare poderia colorir toda a Terra com diversos matizes, tornando-a mais alegre e vibrante. A partir de então, formou-se uma aliança entre Deus (Olorun) e os seres criados, que sempre poderia ser vista quando as águas do céu encontrassem a luz do sol.O arco-íris tornou-se, também, símbolo desse Orixá, que gosta de movimento e harmonia em todas as coisas.

Atótó ! Omolú Olúké a jí béèrú sápadà ! - Salve o rei dos espiritos sobre a terra ! O Filho do senhor é quem grita e nós reverenciamos com temor


OBALUWAYE é um EBORA primordial e assim associado à criação e considerado como o grande regente do planeta. A terra, no sentido mais amplo da palavra, é sua matéria de origem, sobre a qual detém o poder e domínio absolutos.A terra é uma unidade cósmica, viva e ativa. Ela é o fundamento de todas as manifestações. Tudo o que compõe a terra, ou seja, sua extensão, a variedade de seu relevo e da vegetação que nela cresce, enfim, tudo o que está sobre a terra está em conjunto e constitui uma grande unidade.A terra encontra-se no começo e no fim de toda a vida. Toda a forma nasce dela, viva, e retorna para ela no momento em que a parte de vida que lhe tinha sido concedida se esgotou. OBALUWAYE está relacionado à terra e à tudo o que dela advém, ao retorno, ao pó, à transformação, à regeneração, ao renascimento, pois é sabido que "tudo o que sai da terra é dotado de vida e tudo o que volta para a terra é de novo provido de vida".TB é um vodun Gêge conhecido por Sapatá, sendo também cultuado por outras nações. Poderoso orixá, filho de Nanan Buruku (Anabioko) e Orixalá (Oulissassa).Esse orixá, senhor das doenças e da morte, é representado pelas três cores primitivas do universo (de onde todas se formaram), que são o vermelho, o preto e o branco. Isso quer dizer que ele detém os três tipos de sangue, ou axés, que existem na natureza.Obaluayê está ligado ao elemento terra, sendo detentor de seus segredos. Tem, também, ligação com as árvores e com os espíritos que as habitam.Ele é extremamente temido e respeitado, mas, ao mesmo tempo, é indispensável, com uma atuação muito grande dentro dos rituais do Candomblé. Todos o temem, por enviar as doenças, muitas vezes, como castigo ou como desígnios divinos para uma renovação da vida. Da mesma forma que ele traz as enfermidades (como lepra, peste, eczemas, varíola, malária, etc., que provocam alteração na temperatura corporal), traz também a cura para elas.Segundo as antigas lendas, Obaluayê nasceu com o corpo todo coberto por chagas, que ficavam escondidas sob suas vestes de palha. Foi através da sua própria força interior que ele conseguiu curar-se e também desvendar os segredos das doenças que atingem os seres criados. Assim como Ossain, que usa as folhas para curar, Obaluayê usa seu xaxará para limpar a Terra de todas as doenças e pragas.
Esse orixá também tem um papel fundamental nos ebós realizados pelo Candomblé, que são rituais especificamente utilizados para afastar espíritos obsessores ou influências maléficas. É Omulu quem vai fazer afastar essa negatividade e trazer energia positiva para essa pessoa. Depois do ebó, ou limpeza, é imprescindível que se faça uma oferenda para esse orixá. Obaluayê tem um grande poder sobre os eguns (espíritos desencarnados) e ancestrais, controlando-os com seu xaxará. Ele é um ser tão misterioso quanto a própria morte, com a qual tem uma íntima ligação. Conhece todos os seus segredos, sendo muitas vezes confundido com Ikú, o senhor da morte. Omulu é quem faz a limpeza do corpo logo após a morte, permitindo, assim, que as pessoas falecidas se desprendam desse plano de existência. Por esse motivo, é denominado "o senhor das coisas pútridas".Na África, ele é venerado e temido por seus desígnios, sendo considerado uma figura repressora e perigosa, que pode trazer facilmente a morte, mas, por outro lado, é o grande redentor de todas as mazelas que atingem os seres humanos. Ele é cultuado e adorado com todo o respeito, evitando-se, inclusive, pronunciar seu nome sem um motivo real.As vestes desse vodun são muito especiais e de extrema importância para o seu culto. Suas sacerdotisas ou noviços vestem-se com palhas da costa, não deixando transparecer nenhum detalhe de seu corpo. São figuras misteriosas e austeras, que escondem os segredos da reciclagem da vida. Seu principal símbolo é o xaxará, feito com a palha extraída da folha da palmeira nova; o lagidigbá, feito com o fruto da palmeira ou de chifre de búfalo; e o brajá, cordão confeccionado inteiramente com búzios. Além disso, ele também usa um longo cajado, onde se prendem as três cabaças que contêm os segredos da criação. Esse cajado é muito importante para os feiticeiros dahomeanos. No mês de agosto, nas tradicionais casas de Candomblé do Brasil, são realizadas cerimônias em sua homenagem. Nesse mesmo período, também são reverenciados Nanan e Obessen.Os desígnios de Obaluayê nos faz refletir sobre o valor da vida humana e o quanto ela é frágil. Infelizmente, o ser humano só dá valor ao que tem quando está perdendo, como a saúde, por exemplo.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OBALUWAE
São pessoas que ocultam sua individualidade sob uma máscara de austeridade.Têm muita dificuldade em se relacionar, pois são muito fechados e de pouca conversa.Geralmente apaixonam-se por pessoas totalmente diferentes de si próprias, isto é, por figuras extrovertidas e sensuais. Gostam de ver o ser amado brilhar, embora o invejem.Os filhos de Obaluayê são irônicos, secos e diretos. Não são pessoas de levar desaforos para casa e nem de falar pelas costas.Odeiam fofocas e vulgaridades do gênero.A solidão é muito peculiar a essas pessoas, devido à sua própria personalidade.Não se sentem satisfeitos quando a vida corre normalmente, precisam mostrar seu sofrimento, exagerando, muitas vezes, nesse tipo de comportamento.São pessoas firmes e decididas, que lutam para conseguir seus objetivos.Geralmente, não sentem medo da morte, pois, no fundo de seu ser, compreendem que ela é apenas uma renovação.Os descendentes desse orixá são muito independentes e têm a necessidade de crescer com suas próprias forças e recursos.Apresentam pouco brilho em seu rosto e um semblante sério, com raros momentos de descontração. Parece que eles carregam, sobre os ombros, todo o sofrimento do mundo. Adoram fazer caridade e aliviar o sofrimento das pessoas.Os filhos de Obaluayê têm muita afinidade com profissões ligadas à área médica.Muitas dessas pessoas, devido à influência do seu orixá, que comanda os eguns, podem ter experiências sobrenaturais, como visões, sonhos, etc.Uma característica negativa, que pode aparecer nos filhos de Obaluayê, é o masoquismo.
LENDAS DE OBALUWAYE
Nana, esposa de Orixalá, gerou e deu à luz a um filho. Sua criação não foi perfeita, nascendo uma criança doente, com muitas chagas recobrindo seu pequeno corpo. Ela não conseguia imaginar que maldição era aquela, que trouxe de suas entranhas uma criatura tão infeliz!Sentindo-se impossibilitada de cuidar daquela criança, pois mal conseguia olhar para ela, resolveu deixá-la perto do mar. Se a morte a levasse seria melhor para todos.Yemonjá, que estava saindo do mar, viu aquele pequeno ser deitado nas areias da praia. Ficou olhando por algum tempo, para ver se havia alguém tomando conta dele, mas ninguém aparecia. Então, a grande divindade das água foi ver o que estava acontecendo. Quando chegou mais perto, pôde compreender que aquela criança tinha sido abandonada por estar gravemente enferma. Sentindo uma imensa compaixão por aquela pobre criatura, não pensou em mais nada, a não ser em adotá-lo como a um filho.Com seu grande instinto maternal, Yemonjá dispensou a ele todo o carinho e os cuidados necessários para livrá-lo da doença. Ela envolveu todo o corpo do menino com palhas, para que sua pele pudesse respirar e, assim, fechar as chagas.Obaluayê cresceu e continuou usando aquele tipo de roupa, e ninguém, a não ser sua querida mãe, tinha visto seu rosto. Era um ser austero e misterioso, provocando olhares curiosos e assustados de todos. Ninguém conseguia imaginar o que se escondia sob aquelas palhas.Oyá, certa vez, o encarou, pedindo que descobrisse seu rosto, pois queria desvendar, de uma vez por todas, aquele mistério. Obaluayê, sem lhe dar a menor atenção, negou-se a fazê-lo. Ela, que nunca se deu por vencida, resolveu enfrentá-lo. Usando toda sua força, evocou o vento, fazendo voar as palhas que o protegiam.Quando a poeira assentou, Oyá pode ver um ser de uma beleza tão radiante, que só poderia ser comparado ao sol. Nem mesmo ela, como orixá, conseguia erguer os olhos para ele. Assim, todos entenderam que aquele mistério deveria continuar escondido.Uma outra lenda nos mostra que esse poderoso orixá, em suas andanças pelo mundo, pode presenciar o desenrolar de muitas guerras. Os povos que Olorun criou e deu vida brigavam por um pedaço de terra. Muitas pessoas morriam, para que seus líderes pudessem conquistar extensões maiores para seu reinado. Os limites, para esses guerreiros, eram insuperáveis, e as guerras não tinham mais fim. Obaluayê não entendia o motivo destas guerras, já que Olorun havia criado a terra para todos.As lutas traziam muita dor e destruição, e ninguém mais sabia dar o devido valor à vida humana. Os homens só pensavam em seus interesses materiais.Obaluayê, indignado com essa situação, resolveu mostrar a eles que a vida é o maior tesouro que alguém pode ter.O poderoso orixá traçou, então, com seu cajado, um grande círculo no chão, no centro dos conflitos. Colocou dentro dele todo tipo de doença existente. Todo guerreiro, que por ali passasse, iria contrair algum tipo de doença.De fato, foi o que aconteceu. Muitas pessoas adoeceram, inclusive os líderes dos exércitos. Só isso conseguiu por fim às guerras.As doenças se transformaram em epidemias, deixando populações inteiras à beira da morte.Um babalawô revelou o mau presságio, pedindo a todos que refletissem sobre o que estava acontecendo, por culpa deles próprios. Obaluayê havia mandado essas mazelas para a terra, a fim de mostrar que, enquanto temos saúde e uma vida plena, não devemos nos preocupar excessivamente com coisas materiais. Desta vida nada se leva, a não ser o conhecimento e a experiência que acumulamos.Assim, os que aceitaram esses desígnios e fizeram oferendas, conforme explicou o babalawô, conseguiram livrar-se de suas enfermidades e restabelecer sua dignidade. Mas, infelizmente, nem todos agiram assim.Talvez, por isso, existam tantos povos africanos vivendo do mesmo jeito há milhares de anos, tentando não se desligar da natureza.