sábado, 8 de dezembro de 2007

VOCÊ É UM ÌYAWÓ ? TEM CERTEZA ? A IMPORTÂNCIA DA PROCRIAÇÃO

Ainda nos dias de hoje, um certo desdenho e subjugo dos líderes sacerdotais para com os seus filhos espirituais, ou até mesmo com os dos outros, os quais são denominados ou classificados, “equivocadamente”, por Ìyawó. O fato é que alguns pontos precisam ser esclarecidos e refletidos para que haja, diante de entendimentos, uma valorização da cultura e religiosidade de matrizes africanas e afro-brasileiras, na busca da sua preservação e engrandecimento, não só, quantitativamente, como também, e principalmente, qualitativamente. Comecemos por entender o que vem a ser Òrìsà. Um ancestral divinizado que nasceu, viveu e morreu como qualquer um de nós. Porém, em vida, mantinha o controle sobre certos elementos da natureza, através da força vital do criador. “O poder do ancestral-orixá, após a sua morte, é manifestado momentaneamente em um de seus descendentes através do fenômeno da possessão”, ou melhor, da incorporação. “Esse ser humano, escolhido pelo Òrìsà, um de seus descendentes é chamado seu elégùn, aquele que tem o privilégio de ser ‘montado’, gùn, por ele. Tornando-se o veículo que permite ao Òrìsà voltar a terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram”. Verger – Orixás - p. 19 Segundo Verger, os elégùn geralmente são chamados ìyawóòrìsà, significando noiva, esposa ou mulher do Òrìsà, seja ele homem ou mulher, evocando a idéia de sujeição e de dependência, como antigamente as mulheres eram aos homens. Todavia, esta sujeição a que nos referimos é ao ancestral-orixá.

Assim sendo, de acordo com a tradição Yorubá, o que hoje chamamos de Òrìsà (Ogún, Òsoosì, Obalúwayé, Sàngó, Oya, etc.) são na realidade ancestrais que foram divinizados pelos seus descendentes e pelos seus seguidores, seja na qualidade de Onílè/Senhor da Terra (senhor de muitos filhos e de vasto território) ou Ìdílé/Importante personalidade da família (aquele que apesar de não ter filhos ou terras era considerado pelo seu povo como benfeitor). No Brasil este processo de povoamento da casa de culto se dá de forma diferente, quer seja, através da iniciação de pessoas de diferentes segmentos e níveis sociais, diante de diversos fatores de ambientação social, o que nos leva a repesá-los. Em vários momentos das nossas orações e cânticos, mesmo que inconscientemente, suplicamos por fertilidade e filhos, a fim de que possamos ser considerados por Elédùmarè como um Onílè e, desta forma, alcançarmos a eternidade, sendo divinizado pelos nossos descendentes. Daí a importância da procriação iniciática. No terceiro milênio, precisamos entender que os tempos mudaram e que qualquer ser humano, a princípio, precisa ser tratado com respeito. Um filho gozando de satisfação pessoa (àláfíà), propiciará o engrandecimento do àse e, certamente, irá divinizar-nos no futuro. Qualquer religião surge a partir da cultura de um povo, por isto precisamos ter adeptos esclarecidos. É tempo de por que e pra que, pois só desta forma alguém pode defender e difundir aquilo em que acredita. Não se pode mais aceitar, nos dias de hoje as desculpas de que “ainda não está na sua hora de saber”.

“Você ainda é um Ìyawó”?.


Um outro fator de suma importância é o entendimento de que o àse só se eterniza “ou morre” a partir do falecimento do seu fundador. Estão aí os exemplos de tantas casas que já nasceram e morreram sem que sequer lembremos o nome do sacerdote. Enfim, o respeito ao ser humano e a preservação das tradições culturais afro-brasileiras é o que se discute nos dias de hoje.

Um comentário:

silsandre disse...

muito obrigada mesmo.....por cada dia ter um respeito e admiração maior à religião...bem como a vc ! bjksssss meu bom amigo !